Segunda, 08 de janeiro de 2018, 15h49
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Opinião

Brasileiros e os smartphones

Pesquisas recentes informam que o brasileiro gasta quase 4 horas por dia interagindo com o celular

Sempre tive uma relação conflituosa com os smartphones. Desde os remotos telefones celulares já havia uma profunda antipatia entre mim e eles.

Quando surgiram há m/m 20 anos e eram exibidos dentro de uma pochetezinha ridícula pendurada na cintura e usado sem cerimônia em alta voz nos ambientes públicos, começou essa ojeriza que ainda perdura.

Claro que reconheço a utilidade e o valor dessa extraordinária ferramenta de comunicação, mas como foi-me apresentada por provincianos e exibicionistas de mau gosto, acabei associando, muitas vezes injustamente, uma coisa a outra, ou seja, que celulares eram muletas de novos ricos esnobes, com o perdão pelo oximoro.

Depois quando virou um objeto trivial perdeu o apelo de diferenciador de classes sociais, ficando acessível à maioria das pessoas. Aí para manter a minha pirraça apareceu um problema maior que o primeiro: o que era um objeto de ostentação, transformou-se em um dos maiores inimigos da produtividade no trabalho.

Pesquisas recentes informam que o brasileiro gasta quase 4 horas por dia interagindo com o celular.Só dois países no mundo superam essa marca indesejável: Tailândia e Arábia Saudita. Entre os que ficam de 3 a quatro horas diárias vidrados na telinha estão ainda Malásia, Indonésia e Índia, entre outras nações de baixo desenvolvimento.

Dos pesquisados, três usam menos de uma hora por dia para trocar mensagens: Japão, Austrália e França. Entre os que gastam de 1 a 2 horas estão Holanda, Alemanha, Reino Unido, Suécia e Estados Unidos.

Vejam que não estamos em boa companhia. Os países mais desenvolvidos e mais produtivos não ficam gastando seu tempo, ou pelo menos grande parte dele, recebendo/retransmitindo piadas, mandando selfies e caçando likes na hora normal de trabalho.

Não trato aqui dos malefícios que porventura possam derivar do vício da conectividade para a formação dos jovens, porque não é minha praia. Entretanto posso garantir, como cliente e como empregador, que o prejuízo de produtividade e na geração de riqueza em razão da obsessão pelas redes sociais é assustador.

Entre 2013 a 2015, a pesquisa mostrou, dobrou o tempo gasto pelos brasileiros na internet o que sugere que podemos prosperar ainda muito nessa área. Profetizo que pesquisas de opinião daqui a cinco anos perguntarão “quanto tempo você consegue ficar distante do celular diariamente sem sofrer uma crise de abstinência”?

Será que essa baita desproporção de tempo gasto nos smartphones entre brasileiros e japoneses ajuda a entender a razão dos primeiros terem uma renda per capta anual de 8 mil dólares e os segundos mais de 32 mil?

Existem inúmeras varáveis que determinam o sucesso ou fracasso de uma pessoa ou país, mas, pelo menos, uma constante: sem dedicação e esforço não há prosperidade. Por isso é que os descendentes de japoneses aqui no Brasil, no terceiro ano do ensino fundamental já estão 30% à frente dos outros em aprendizado.

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor



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